Projetar não é criar formas vazias ou ceder a caprichos da moda, mas sim encontrar o equilíbrio sábio entre a visão contemporânea e a identidade intensa do lugar. Na Costa Nova, perante uma malha urbana densa, intrincada e com um forte conforto de bairro, a ausência de modelos imediatos desafiou-nos a uma viagem ao passado. Onde antes existia uma construção modesta e desconfortável, ergue-se agora uma proposta ancorada na história e nas profundas raízes culturais da região. A inspiração viaja até ao palheiro tradicional, outrora armazém cru e funcional das "pessoas do mar", fixando-se na dimensão original da crueza da forma, na verdade do material e na imagem despida da construção simples. A volumetria surge elementar, com um telhado simples de duas águas onde a madeira crua regressa para proteger a fachada e sugerir o ritmo das antigas tábuas. No topo, o ritmo constante da camarinha de cobre evoca a resistência ao tempo, e o seu envelhecimento natural mimetiza os antigos óleos e pigmentos que protegiam as estruturas do passado. Na simplicidade e pragmatismo da forma de hoje reencontra-se a alma do passado: esta casa é agora o novo palheiro, uma reinterpretação despida de pretensiosismos, diferente no ser, mas equivalente no sentir, que devolve ao lugar a força da sua própria identidade.
Portfolio Category:
Projecto de Raiz


