No terreno, com 687 m2, implantava-se uma edificação destinada a habitação que apresentava elevados problemas de conforto face aos padrões actuais, soluções estruturais deficientes e anomalias funcionais graves. Propôs-se manter no essencial a massa edificada não alterando substancialmente a estrutura e as cotas de soleira existentes, ajustando-as apenas à nova realidade. Proporciona-se assim a acessibilidade através do percurso já existente. Não foi alterada a topografia do lote evitando ao máximo a movimentação de terras e a consequente descaracterização do espaço, preservando os valores paisagísticos do local.
A compartimentação que existia apresentava-se desproporcionada e com um excesso de dependências que não eram usadas. O resultado desta desorganização e ausência de desenho refletia-se também ao nível dos alçados onde os ritmos e dimensões das aberturas eram desordenados e insuficientes. A volumetria existente é agora complementada por dois novos corpos que se pronunciam e que oferecem dinâmica e ao mesmo tempo anunciam os espaços que compõem o programa. Espaços amplos, desafogados e versáteis, anulando quase a totalidade das compartimentações interiores. Esta solução permitiu com relativa facilidade devolver luz ao interior da construção.
Embora seja uma construção isolada e assim se manteve, pretendeu-se com esta nova imagem, contemporânea, ajudar a enquadrar no existente de forma despercebida e harmoniosa, ajudar também a reforçar o conjunto mantendo algumas das características mais interessantes existentes na envolvente, nomeadamente o telhado de duas águas e o uso da madeira nas fachadas.
Os alçados são assumidos como planos fechados e opacos nas áreas privadas, admitindo nas áreas de uso social planos envidraçados e permeáveis, garantindo uma relação direta com o exterior e tirando o máximo partido da vista privilegiada sobre o vale. A cobertura é de duas águas e revestida a chapa metálica, as coberturas menores dos corpos pronunciados são planas.
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projecto reabilitação


